Caro leitor,

este blog foi abandonado pelos seus autores sem aviso prévio. Pedimos perdão! Cada um de nós está vivendo momentos difíceis de definir em suas respectivas vidas e os textos deste espaço deram lugar a infindáveis dúvidas afogadas em reflexões solitárias de fim de noite.

Triste e desamparada pela falta de atualização na sua vida, Leopolda deve ter se perdido em algum lugar entre as esquinas do Itaim Bibi e o aeroporto de Guarulhos.  Cremos que ela tenha desistido de tudo e partido para uma viagem de autoconhecimento. Ela só nos deixou uma dica sobre seu paradeiro:


Ela tinha febre, dores no corpo e um nariz entupido. Eram sintomas de gripe ou virose — as doenças mais bobas do planeta. Mas ela sentia que estava em estado terminal. Chegou a pensar que fosse dengue, leptospirose, gripe suína ou lupus… (Algumas pessoas ficam dramáticas quando estão doentes e Leopolda não era diferente. Afinal, todo mundo tem um pouco de médico e de hipocondríaco).

Afastada do trabalho, Leopolda passou o dia todo em profundo e completo ócio. Era natural que ela se encontrasse perdida numa nuvem de pensamentos pessimistas. Só que as crises pessimistas costumam ser contraditórias e, quando Leopolda sentiu que as lágrimas iriam formar um dilúvio sobre o seu rosto, ela gargalhou. Soluçou. Chorou. E riu. Era tudo tão ridículo, tão efêmero… De repente, todas aquelas dores viraram um campo de batalha que contavam a ela que, no fundo no fundo, tudo ficaria bem. E ela se pegou dançando sozinha no quarto. De pijamas. Sem música. E com um lenço de papel na mão…

Por Vanessa D’Amaro


“Eu ainda sinto saudades de ser dançarina de boate. Talvez eu volte a fazer isso algum dia”.

“Às vezes saio sem as roupas de Gaga e ninguém me reconhece. Sinto como se fosse antes de tudo isso”.

“Sempre me sinto tímida no cenário hollywoodiano. Sinto como se não me encaixasse nele”.

Lady Gaga para o Showbiz Spy.


Hoje eu entro na idade de que trata este blog. Hoje completo duas dúzias de anos, pouco mais de 8760 dias, cerca de 210.240 horas de vida. Números. Pura matemática. Então por que dizer qualquer coisa de especial? Por que adjetivar esta idade em especial? Por que escrever um blog sobre ela? Por que dizer que é um momento de transição, cheio de dúvidas, amarguras e incertezas?

Não sei. Não sei porque escolhemos essa idade pra tratar aqui, já que nem todos nós, autores, temos 24 anos (eu mesmo só fiz 24 hoje). Talvez a tenhamos escolhido porque todos temos essa mesma sensação de que o par de dúzias, em anos, é tão insípido quanto importante. Posso vê-lo como uma transição, mas sem a transição, como chegar à completude? Como chegar ao objetivo sem o trajeto?

As dúvidas de que tanto falamos são reflexo não apenas dos 24 anos, mas de uma faixa etária mais ampla na qual percebemos que nem tudo que aprendemos na infância se aplica a todas as pessoas, na qual entendemos que o mundo é mais diverso do que nossas mentes podiam abarcar, na qual nos damos conta de que nosso universo particular não passa de pó de estrela no meio do universo de verdade. E leva um tempo pra nossa percepção dar conta de um choque tão grande, pra aceitarmos nossa pequenez e, ao mesmo tempo, entendermos nossa grandiosidade no seleto grupo de almas afins a que chamamos família e amigos.

Depois dos 24 (ou, pra alguns, depois dos 20, pra outros, depois dos 30, e pra outros nunca) entendemos melhor nosso lugar no mundo. Quer dizer, eu acho, mas ainda tenho 24!

Por mais que chegar aqui tenha, pra mim, uma sensação besta, é bom. Meu caminho ainda se estende uns tantos megâmetros à frente, e as tantas dúvidas de que muitas vezes reclamei são minha propulsão. Não fossem elas, pra que eu caminharia?

Por Thiago Schiefer


O trânsito de São Paulo anestesia os neurônios de qualquer pessoa. Leopolda estava parada em uma rua qualquer do Itaim Bibi lá pelas oito horas da noite quando começaram a buzinar sem motivo aparente. A moça de 24 anos, escapista por natureza, ligou o rádio. Ela estava tão cansada… e a semana mal tinha começado! Será que tudo valia a pena? A vida parecia estar congestionada. Travada. Não sabia quando iria chegar aonde queria chegar…

O farol longínquo ficou verde. Leopolda engatou a primeira e partiu em velocidade baixa. Seria assim por um bom tempo.

Por Vanessa D’Amaro


Quando eu era adolescente eu me sentia irritantemente acompanhada o tempo todo. Eu queria um pouco de espaço… Queria ficar só!

Agora, com 20 e poucos anos, eu procuro constantemente por sorrisos, conversas breves e acenos na rua. Mas, na maioria das vezes, eu não encontro ninguém…

Por Vanessa D’Amaro


Enquanto a Talita Abrantes passava a adolescência lendo Clarice Lispector, eu assistia Disk MTV e preparava o meu repertório de música pop-teen contemporânea. Por isso, quando eu li o dramático “Um passo de cada vez” de Leopolda e seu salto alto não consegui evitar! Era como se a própria Jordin Sparks estivesse cantando do meu lado! (E se você não sabe quem é Jordin Sparks, orgulhe-se! Eu não sei como que eu faço isso!*)

*Jordin Sparks tem 20 anos de idade. Ela ganhou o American Idol em 2008 aos 17 anos. Já vendeu mais de 2 milhões de Cds pelo mundo todo.

Por Vanessa D’Amaro (quem mais citaria música pop-teen?)


Era uma manhã segura como tantas outras. E, para não perder o costume (e o fio da rotina), ela mantinha-se impávida em seus temores.

Um passo de cada vez, um pas-so de c-a-da v-ezz, um pass…- sussurrava para si enquanto despejava cada um de seus gramas no assoalho esburacado do passeio público.

Se algum conhecido a cruzasse naquela manhã, não esboçaria qualquer pingo de dúvida. Só pode ser ela – diria satisfeito e arremataria orgulhoso:  ”Leopolda e seu ar malabarista com um par de saltos finos ultra concentrada em seus próprios destinos”.

Sorriria e seguiria o próprio rumo, sem sequer simular um tímido aceno de mãos. Todos sabiam: nessas circunstâncias, seria uma heresia arrematá-la de seu pequeno cosmos.

Ele não sabia de nenhuma dessas convenções.

E, solenemente, plantou-se bem ali … na rota do passo número cinco mil e pouco dos pés apertados de Leopolda.

Um passo de cada vez, u-m pas-s-o de …

… em um milésimo de segundo, lá estava ela – nitidamente desfeita no assoalho esburacado do passeio público. Exposta em cada um de seus temores. E triste. Bem triste.

Enquanto ele não movia nenhuma pá.

Permanecia imóvel em seu vaso de plástico e porte de cacto.

Leopolda o olhou.

E foi assim que ela inaugurou o Amor.

Por Talita Abrantes


Pode ser agora, antes ou depois. Mas, mais dia, menos dia, todos se vêem enxotados pela Vida para o profundo azul do mundo.

Nesta trajetória, a mistura de sensações é imensa. E os novos paradoxos confluem para uma sede de tanto infinito, que falta espaço para pensar em tudo que já foi seu, mas que, pela gravidade, aos poucos foi sendo puxado para trás.

Enquanto isso, o ponto de partida tenta reconstruir a si próprio no tom seco do vazio e da rotina.

Dói.

Mas é assim: juntos, que tristeza e beleza, abundância e vazio tecem a verdade da vida e do mundo.

“E uma mulher, que segurava um bebê no colo, disse: “Fale-nos de filhos”.

E ele disse:

‘ Seus filhos não são seus filhos.

Eles são filhos e filhas do anseio da Vida por si própria.

Vieram através de você, porém não de você,

E, embora estejam com você, no entanto não lhe pertencem.

Você pode dar-lhes seu amor, porém não seus pensamentos,

Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Você pode abrigar seus corpos, porém não suas almas.

Porque suas almas moram na casa do amanhã, que você não é capaz de visitar, nem sequer em sonhos.

Você pode empenhar-se em ser como eles, porém não procure fazer que sejam como você.

Porque a vida não vai para trás, nem demora no ontem.

Vocês são os arcos dos quais seus filhos são lançados como flechas viventes.

O arqueiro vê o alvo no caminho do infinito e Ele curva vocês com Sua potência para que Suas flechas sigam velozes e longe.

Que a curvatura de vocês em mãos do Arqueiro seja pela alegria;

Porque se Ele ama a flecha que voa, também ama o arco que é estável”

Kahlil Gibran

Por Talita Abrantes

Crédito/Foto: Flickr/R´eyes


É como se a sopa de letrinhas tivesse estragado. Uma junção mal-sucedida de vogais e consoantes. Mas não um nome ruim. Um nome duro. Muito duro. Não foi escolha sua. Obviamente. Leopolda… Que ideia!

Com um nome assim, não é se estranhar que ela tivesse uma enorme dificuldade em ser doce. Muita vezes, inclusive, se enfurecia afirmando que a sociedade impunha uma série de comportamentos estereotípicos às mulheres. Ser meiga pra quê? Mas, talvez — ela se perguntava secretamente — a vida teria sido mais fácil se fosse Ana, Beatriz ou Clara…

Por Vanessa D’Amaro




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